quinta-feira, abril 6

Sempre, sempre, em contraciclo

Na Itália vai haver eleições. Espera-se a vitória de Prodi e a derrota de Berlusconi. É bom que assim seja. Para bem da Europa e da decência.
Na Inglaterra, parece que vai, pelo menos, mudar do Blair para o Brown. Não sei se para melhor, se para pior.
Em França, será difícil não haver uma mudança, embora sem data marcada nem direcção definida. Mas terá de haver, porque o impasse que está dificilmente pode continuar.
Na Alemanha, já houve a mudança. Ao contrário de muitas expectativas, foi na boa direcção.
Em Portugal, nada mudará, em princípio, durante os próximos três anos.
Sempre, sempre, em contraciclo!

segunda-feira, março 27

failure

Vale a pena procurar no google pela palavra 'failure'. Procurar em toda a web e não nos sites portugueses ou em língua portuguesa. Depois de clicar, o primeiro resultado que aparece é o site of the President of the United States, George W. Bush.
O google é o melhor buscador o mundo!

quinta-feira, março 23

Energia

A Comissão Europeia está a promover o lançamento de uma política energética comum na Europa. É bom que o faça. A União começou a sua vida pela comunitarização do carvão e do aço. Eram então as duas matérias mais estratégicas. Mas, nesse tempo, as pessoas e os governos eram talvez mais inteligentes.
Sejamos optimistas. A política energética comum não tem que ser feita na primeira reunião. Se calhar é mesmo impossível. Mas se começar a andar já é muito bom. Sem uma política energética comum não haverá uma União Europeia.

terça-feira, março 7

Não basta pairar ...

Sócrates, na Finlândia, disse que a constituição europeia é necessária e que tem de ser reaberto o respectivo processo: com este ou outro texto, uma constituição é necessária para a Europa. Estou completamente de acordo.

Também Cavaco disse que coisa parecida - deturpada naturalmente pelos jornalastros.

Só Marques Mendes mantém a ambiguidade. Não é assim que se ganha - ou se mantém - a confiança política dos eleitores. É preciso escolher, não basta pairar...


sexta-feira, março 3

Flexibilidade e aprofundamento da União

A união política da Europa é imprescindível, quanto mais cedo melhor.

Mas o aprofundamento parou, bloqueado por alguns membros que preferem uma estrutura de puro comércio livre, tipo EFTA.

Se os que querem avançar para a união política não têm o direito de o impor aos que não querem, também - vice-versa - os que não querem avançar não têm o direito de impedir os outros de o fazer e de se unir políticamente num novo país chamado Europa.

Neste momento, os eurocépticos estão a impor abusivamente o seu projecto aos outros, de um modo nada democrático.

A solução está na flexibilidade e nas chamadadas cooperações reforçadas. Assim como sucedeu com o Euro e com Shengen, aqueles que querem avançar devem poder fazê-lo, sem arrastar consigo os que não querem, e estes podem fazer «opt out» e ficar na sua EFTA.

Para isso, é necessário prosseguir com os referendos sobre a constituição europeia. A união far-se-á com os que votarem a favor. Os que votarem contra ficarão de fora.

Deve manter-se a possibilidade de adesão posterior aos que ficarem de fora, assim como de saída aos que entrarem.

Porque a Europa deve ser feita com pessoas e não com Estados, deve ser permitida a adesão individual e pessoal aos nacionais de países que ficarem de fora, assim como deve ser permitida auto-exclusão dos nacionais de países aderirem.

Uma coisa é certa: as coisas não podem continuar como estão.

quinta-feira, março 2

Microsoft

Do Financial Times de hoje:
Microsoft was warned on Thursday that its behaviour was leading inexorably towards large fines from the European Commission after the US software giant accused the competition body of colluding with the company's rivals.
É preciso ter lata: A Microsoft está para o abuso da posição dominante como a McDonalds para o hamburger: é um paradigma mundial.

O gato do báltico

Apareceu morto, numa ilha do báltico, um gato que terá comido um ave infectada com a gripe aviária. Os eurocépticos vão concluir que a UE é uma m...

quarta-feira, fevereiro 22

Todos gritam e ninguém tem razão

Quer a publicação dos cartoons do Maomé, quer a destruição de missões diplomáticas bandeiras ocidentais que se lhe seguiram, são crime em Portugal:

  • Segundo o artigo 240º do Código Penal português é crime de discriminação religiosa, punível com prisão de 6 meses a 5 anos, o acto de "por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social" (...) "difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua (...) religião (...)", "com intenção de incitar à discriminação racial ou religiosa ou de a encorajar".
  • Segundo o artigo 323º do Código Penal português, comete crime de "ultraje de símbolos estrangeiros", punível com prisão até um ano, "quem, publicamente, por palavras, gestos, divulgação de escrito ou outro meio de comunicação com o público, injuriar bandeira oficial ou outro símbolo de soberania de Estado estrangeiro ou de organização internacional de que Portugal seja membro".

Nesta questão - como em casa onde não há pão - todos gritam e ninguém tem razão. Nem deviam ter sido publicados - e principalmente republicados - os cartoons, porque ofendem gratuitamente os sentimentos religiosos de milhões de pessoas, nem são obviamente aceitáveis as destruições de missões diplomáticas e de símbolos nacionais que se lhes seguiram.

Em ambos os casos, há minorias sectárias e provocadoras que tentam manipular os imbecis para uma guerra religiosa. Tudo isto torna mais difícil, senão mesmo impossível, em tempo politicamente útil, o relacionamento e a compatibilização entre o ocidente e o islão. É péssimo que assim seja.

Como vem já a suceder desde a alguns anos, a estupidez derrotou a inteligência. Daqui não pode vir nada de bom.

Sobretudo, é preciso não ficar refém do maniqueismo primitivo em que tudo isto se traduz !

domingo, fevereiro 12

Valha-nos Deus ...

Ainda não acabaram os ecos da
crise dos cartoons, com manifestações nas capitais de Europa contra a
«islamofobia», que já apareceu outra: filmes em que soldados ingleses, no sul do
Iraque, espancam prisioneiros civis. Pior era difícil ...


O Papa Bento XVI resolveu visitar a
Turquia. Vá lá que alguém age com inteligência no meio de todo este
disparate. Mas os Papas falam com Deus ... e Deus dá bons conselhos ... até
porque é o mesmo Deus dos Judeus, dos Cristãos e do Islão. Valha-nos
Deus ...

domingo, fevereiro 5

Manipulações ...

Jornalastros radicais xenófobos provocaram o Islão com caricaturas ofensivas. Como era de esperar o Islão reagiu à sua maneira. Aí, os jorlanastros vitimizaram-se e gritaram indignação. Se eu fosse cego, talvez não visse o que aqui há de manobra.

Era mau para a América o relativamente bom relacionamento entre a Europa e o Islão. É assim que se faz. É muito fácil manipular jornalastros de extrema direita. Estão sempre disponíveis para este género de coisas. Depois, como a Europa tem muitos muçulmanos no seu interior, nacionais e imigrantes, tem relações fronteiriças com estados islâmicos e tem até a Turquia em processo de adesão, o agravamento de tensões com o Islão, cria dificuldades evidentes.

É preciso não ter os olhos fechados e compreender como é que estas coisas se fazem, porque é que se fazem e para o que é que servem.E é preciso não se deixar manipular nesta patetice.

terça-feira, janeiro 24

Extraordinary renditions II - something must be rotten ...

A investigação feita pelo Conselho da Europa concluíu que
dificilmente algum governo europeu desconhecia a realização - nos seus países -
de capturas e pela CIA e entregas de pessoas para serem torturadas noutros
países, no âmbito da war on terror.

O relatório está no site do Conselho da Europa:

http://assembly.coe.int/Main.asp?link=/CommitteeDocs/2006/20060124_Jdoc032006_E.htm

É importante ler. A denúncia desta realidade não pode mais
continuar a ser imputada a grupos marginais esquerdistas ou pró-terroristas. É do Conselho da Europa que se trata.

Não pode deixar de ser perguntado se também o governo português sabia, se estava envolvido, se as polícias portuguesas, serviços de informação, etc., sabiam e colaboraram nestas práticas.

Não pode também deixar de ser perguntado se as
«autoridades» portuguesas obedecem ao comando americano e
se, nessa obediência, estão dispensadas de cumprir as leis portuguesas.

No Brasil diz-se que o ideal do general brasileiro é ser general americano. Aqui passa-se a mesma coisa: o ideal do polícia secreto português é ser da CIA.

domingo, dezembro 18

À beira do abismo ...


A técnica de negociar à beira do abismo deu o que de pior se receava: Blair largou um bocado do «rebate», mas não todo; a pac manteve-se, sem ser modernizada; o investimento na agenda de Lisboa não se fez.
O resultado foi uma redução efectiva do orçamento de uma UE a 25, ou a 27.
A União saíu empobrecida, com menos meios para se afirmar e para aprofundar.
Mais uma perda de tempo.
É preciso ter paciência para tanta mediocridade!

quarta-feira, dezembro 14

Narrow mindedness ...


Blair apresentou o novo orçamento para a UE. Aumentou minusculamente o valor e manteve o rebate. Tem vistas curtas e ambições nenhumas. Age como primeiro ministro inglês e não como presidente (?) da União. Quer destruir a UE e substitui-la por uma EFTA. Acha-se um génio político.

Por este caminho, não vai haver orçamento, nem na presidência inglesa, que acaba amanhã, nem no futuro.
De Gaule tinha razão: os ingleses pensavam como se fossem os países europeus a querem entrar para a Commonwealth e não a Inglaterra a entrar para a Europa. Não os deixou entrar, e fez bem. Continua a ter razão: não os deviam ter deixado entrar.

Agora, não vale a pena continuar à espera. As alternativas políticas que existem na ilha são ainda piores. É melhor começar já a escolher os Países da Europa que sinceramente querem construir uma República da Europa, com uma moeda, uma democracia, uma constituição, um modelo social justo, uma defesa comum e uma diplomacia comum. Entre esses, deve ser celebrado um novo tratado.

Os outros podem aderir à Commonwealth... com os ingleses.

terça-feira, dezembro 13

PAC, OMC e o british rebate

A PAC não é uma política económica, é uma política social que visa subsidiar os agricultores de modo a conseguir - como conseguiu - que deixassem de formar cinturas de pobreza à volta das grandes cidades. Teve ainda o efeito de tornar a Europa auto-suficiente em alimentos e politicamente estável. Estes efeitos são bons - não são maus - e é imprescindível que se mantenham. Se acabar a PAC, a Europa deixa de ser auto-suficiente em alimentos e passa a ter de os importar dos USA, e daí a pressão americana. Além disso, fica sujeita à proletarização dos agricultores com a instabilidade política consequente, e daí a pressão dos seus rivais.

A tentativa de liberalização de todas as trocas na OMC tem uma carcaterística curiosa: nunca se viu tantos ricos com tanta pena de tantos pobres. Mas esta imagem é falsa. A liberalização das importações de açúcar, soja e carne do Brasil não vai fazer diminuir um único pobre nessa terra, mas antes enriquecer ainda mais a oligarquia latifundiária local (que logo tranfere para a Flórida o dinheiro que assim ganhar). Além disso, serve para permitir a deslocalização das indústrias trabalho-intensivas da Europa para locais com salários de escravatura, permitindo a re-exportação dos produtos para a Europa. É muita ingenuidade acreditar na bondade e no altruismo da liberalização do comércio.

Não há qualquer justificação para que se mantenha o «british rebate»: é imoral que o RU insista em não pagar o que deve e em ser fortemente subsidiado pelos mais pobres. Se Blair bloquear o orçamento da EU, como esta não pode viver sem orçamento, melhor será começar a pensar em viver sem o RU.

domingo, dezembro 11

A man of many budgets

Blair não sabe bem se está propor um orçamento para a UE na qualidade de presidente em exercício, ou na de primeiro ministro inglês, ou na de futuro passado líder do partido trabalhista. O resultado é pathetic! Agora vai apresentar outro.

He is a man of many budgets!

quinta-feira, dezembro 8

American soft power

O poder americano no mundo não vem só do aparelho militar. Vem também da propensão de tanta gente, fora da do seu território, para apoiar activamente as suas iniciativas, para controlar a informação e para formar a opinião nos outros países. Assim como a Alemanha do III Reich tinha os seus «colabos» em França e como os franquistas na guerra de Espanha, tinha a sua «quinta coluna» em Madrid, também os americanos têm, mais ou menos em todo o lado, desde dirigentes políticos a jornalistas, de académicos a militares e polícias, que pensam americanamente, que agem de acordo com o que lhes parece ser a doutrina americana.
Já nem dão por isso, tal é o hábito.
Isto é o american soft power. Sem ele, nunca teriam podido sobrevoar, aterrar e descolar, no estrangeiro os aviões da CIA, nunca poderia ter feita as «extraordinary renditions», nunca poderia ter feito o «outsorce da tortura».
Nem precisam de os pagar: eles são pagos pelos outros.

domingo, dezembro 4

Extraordinary rendition

É assim que se chama a prática da CIA de capturar pessoas em países estrangeiros e levá-las sabe-se lá para onde, onde são interrogadas com uso de técnicas que são consideradas de tortura.
Claro que isto só é possível com a cumplicidade de gente com poder dos países onde acontece. Digo gente com poder para não dizer mesmo os respectivos governos, os respectivos serviços secretos, as respectivas polícias, os respectivos militares.

Esta cumplicidade é oculta, é sempre negada, mas existe e é eficaz.
Como é que é possível esta cumplicidade.

É o «american soft power».

sexta-feira, dezembro 2

O orçamento reduzido

Tony Blair foi passear ao continent, falar com os governos dos países recém aderidos, para os tentar convencer a aceitar uma redução do orçamento da UE que se traduziria inexoravelmente na redução dos subsídios que iriam receber. Tinha, com certeza, esperança em que o anglo-americanismo deles os faria aceitar. Mas não, não aceitaram e protestaram contra a falta de solidariedade dos ricos. Parece, agora, que Blair já está conformado a ver reduzido o british rebate. Vai ser - já está a ser - atacadíssimo at home por causa disso. Ainda assim, não é bom - é pessimo - que orçamento comunitário seja reduzido, em vez de ser aumentado. Como é que vai ser possível, como menos dinheiro, fazer tudo o que tem de ser feito por dez países arruinados pela guerra fria, como é que vai ser possível pacificar e reconstruir os balcans, como é que vai ser possível lançar as bases de uma política de defesa e segurança comum, de uma política externa comum, como é que vai ser possível manter e desenvolver o futuro da Europa com um redução do orçamento? Não pode ser assim...

quarta-feira, novembro 30

Terror camps

Antigamente chamavam-se campos de concentração. Agora chamam-se campos de terror. Não está mal. Estou curioso de saber onde ficam na Europa, haverá algum em Portugal? Vejamos como é que isto acaba.